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Adiel Ferreira perguntou em 21/12/2012 às 02:12:
Prezado Pastor, Graça e Paz! Gostaria de saber sobre as implicações do ponto de vista crítico teológico da linha reformada no que tange o Tema Predestinação ou Eleição sobre dois Hinos do Hinário Novo Cântico que dizem: 1) Achei um bom amigo, Jesus o Salvador, o escolhido... 2) Meu amigo, hoje tens a escolha, vida ou morte, qual vais aceitar... Agradeço o empenho do amado irmão em atender a minha consulta. Desejo-lhe um ministério profícuo no Amor de JESUS! Amplexos!!!
 
Pastor Luís Fernando Alves respondeu em 10/01/2013 às 19:01:
Paz seja contigo Adiel,

Acredito que você esteja encontrando questões sobre a predestinação da parte de Deus e sobre as ações humanas nos hinos, tais como “achei” e “aceitar”.

Anthony Hoekema responde tal questão à luz do relato da criação, por exemplo. A pressuposição da concepção cristã do homem (antropologia cristã) é a fé em Deus como criador, ou seja, o homem não existe autônoma ou independentemente, mas vive como criatura de Deus (cf. Gn 1.1, 27). Toda realidade criada é dependente de Deus. Werner Foerster afirma que em vir a ser, existir e perecer, toda criação é dependente totalmente de Deus (cf. Ne 9.6; At 17.25, 28). Devemos nossa respiração a Deus, existimos somente nele, cada movimento que fazemos estamos na dependência dele. Não podemos levantar um dedo à parte de Deus. Sabendo disto, Hoekema nos alerta que o homem é: I) criatura. O homem é uma pessoa criada, isto é, há dependência absoluta de Deus – um dedo não pode ser movido à parte de Deus (cf. Rm 9.21).

Hoekema também nos alerta que o homem é: II) pessoa. Há certa forma de independência, não absoluta, mas relativa. Podemos tomar decisões e perseguir objetivos, somos livres para tomarmos nossas próprias escolhas, ou seja, não somos robôs determinados por forças exteriores a nós. Leonard Verduin afirma que ser uma pessoa é ser uma criatura de opção.

Portanto, o homem é uma pessoa criada. Há a dependência absoluta de Deus. Também há a dependência relativa. Quando movo meus dedos, eu os movo (cf. Gl 6.7, 8; Js 24.15; II Co 5.20).

Alguns teólogos chamam isso de antinômio, ou seja, a existência pacífica de duas proposições bíblicas aparentemente contraditórias que não podem ser harmonizadas pela lógica humana (cf. vídeo do Augustus Nicodemus logo abaixo, nas indicações). Esse ser criatura e pessoa se trata de um mistério fundamental, insondavelmente misterioso. Negar tal paradoxo é não fazer justiça à escritura. Tal compreensão teológica deve ser tida em vista. Se assim não for feito corremos riscos de cair em erros (cf. livro de David Basinger e Randal Basinger, logo abaixo).

Portanto, as implicações são as seguintes:

I) o homem pecou porque é pessoa, capaz de fazer escolhas, até mesmo contrárias à vontade de Deus. Mesmo pecando, o homem permanece criatura, dependente de Deus. Deus proporcionou a força ao homem e o homem pecou por si mesmo. A magnitude do pecado consiste no fato de ele ter usado os poderes dados por Deus para o serviço de satanás. Deus permitiu que nossos primeiros pais caíssem em pecado, eles caíram como pessoas criadas. Não foi surpresa para Deus, apesar de eles serem considerados responsáveis por seus próprios pecados.

II) o homem caiu por sua própria falta e só pode ser redimido de seu estado por Deus. Por ser pessoa, ele tem parte a cumprir no processo da redenção, o homem não é salvo como um robô. Ele precisa decidir-se livremente na força do Espírito Santo. Após a escolha, ele deve continuar a viver na comunhão com Deus e na obediência da fé. A regeneração é ato do Espírito Santo com a palavra pregada, que une uma pessoa a Cristo e muda seu coração. Antes morto, agora vivo. A regeneração é obra de Deus (cf. Jo 1.13; Ef 2.5). Um morto não pode vivificar a si mesmo. Por estar morto, e por ter caído por si mesmo, o homem só recebe vida através do ato miraculoso de Deus, trata-se de ser nova criação (II Co 5.17). Por ser criatura, o homem tem que ser regenerado por Deus, ter uma nova vida. Por ser pessoa, tem que crer, há uma escolha consciente e pessoal de aceitar e seguir a Jesus. Deus regenera, o homem crê.

O mesmo vale para a santificação, que é operação do Espírito Santo e envolve a participação do homem responsável. O Espírito Santo renova o homem. Assim, o homem é capacitado a viver para o louvor da glória de Deus (cf. II Co 7.1). A santificação é obra de Deus (homem como criatura) e tarefa do homem (homem como pessoa) (cf. Fp 2.12, 13). Desenvolvemos o que tem Deus tem realizado em nós. O homem cultiva o que é dado por Deus.

Sendo assim, para finalizar, na questão da eleição é o mesmo processo. Resumidamente, Deus nos elege antes da fundação do mundo, conforme afirma Efésios 1.3-14, e assim respondemos a tal ato anterior de Deus. Primeiro Deus nos elege, nos predestina, nos chama, depois nós respondemos a tal ação primeira de Deus.

Sobre o assunto, indico para você as seguintes literaturas:
  • As Institutas – João Calvino
  • Confissão de Fé de Westminster
  • Catecismo Maior
  • Catecismo Breve
  • Criados à imagem de Deus – Anthony Hoekema
  • Teologias sistemáticas – I) Herman Bavinck; II) Charles Hodge; III) Louis Berkhof; IV) Wayne Grudem.
Para um debate sobre a questão da predestinação e da responsabilidade humana:
  • Predestinação e Livre-Arbítrio: quatro perspectivas sobre a soberania de Deus e a liberdade humana – David Basinger e Randal Basinger.
A título de curiosidade, sugiro o vídeo do reverendo Augustus Nicodemus, bem como um estudo escrito pelo reverendo Waldemar, respectivamente:
Finalizo com as sábias palavras de João Calvino:

“As coisas que o Senhor deixou recônditas em secreto não perscrutemos, as que pôs a descoberto não negligenciemos, para que não sejamos condenados ou de excessiva curiosidade, de uma parte, ou de ingratidão, de outra.”

Espero ter sido útil,

Em Cristo,
Licenciado Luís Fernando
 
 
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